Parkinson é 50% mais prevalente no sexo masculino

De jaqueline

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a doença afeta cerca de 1% da população mundial com idade superior a 65 anos. Neurologista do Hospital Santa Catarina — Paulista fala sobre os principais estágios da doença, fatores de risco e reforça a importância do acompanhamento médico e da fisioterapia como fatores determinantes para a qualidade de vida do paciente

Atualmente, mais de 10 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com a doença de Parkinson. De acordo com a Fundação Parkinson (Parkinson ‘s Foundation, em inglês), a condição é 50% mais prevalente no sexo masculino e está entre os distúrbios neurológicos que mais crescem no mundo, sendo considerada a segunda doença neurodegenerativa mais presente no ranking. Estima-se que 4% de todos os diagnósticos positivos são realizados antes dos 50 anos de idade.

Parkinson é uma doença neurodegenerativa que causa um distúrbio no sistema nervoso central, consequentemente provocando tremores, lentidão dos movimentos, rigidez muscular, desequilíbrio e alterações na fala e na escrita. A doença que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), afeta cerca de 1% da população mundial com idade superior a 65 anos, não precisa ser notificada aos órgãos públicos no Brasil, o que dificulta a estimativa de prevalência no país – que atualmente está em torno de 200 mil pessoas.

Atualmente, não há uma forma específica de prevenir o surgimento da doença, mas um estilo de vida saudável – com alimentação regrada, prática regular de exercícios físicos e boas noites de sono – podem ajudar na redução de risco. “Além dos cuidados gerais de prevenção, também existe uma correlação entre sintomas de Parkinson com a utilização de alguns medicamentos. Então, é indicado ficar atento para não abusar do seu uso, mesmo quando houver indicação, ressaltando a necessidade de seguir junto com o seu médico ou especialista quando é realizado um tratamento medicamentoso”, explica Dr. Fernando Gomes Pinto, neurocirurgião do Hospital Santa Catarina – Paulista.

Cinco estágios da doença

Primeiro estágio – sintomas como tremores, alterações do equilíbrio, na postura, problemas para caminhar e alguns tiques – que podem aparecer no rosto, na mão, nos pés ou apenas nos dedos – são observados em apenas um lado do corpo. Apesar do paciente continuar vivendo sua rotina normalmente, é importante iniciar o acompanhamento e o tratamento da doença com um neurologista, e também incluir a família no contexto e progressão da doença.

Segundo estágio – ao atingir ambos os lados do corpo, a marcha começa a ser mais comprometida, a rigidez muscular fica mais evidente e algumas atividades como sentar, deitar, falar, começam a ficar um pouco mais difíceis para o paciente. Nesta fase, a reabilitação multiprofissional com auxílio de fisioterapeutas e fonoaudiólogos é recomendada para estimular a neuroplasticidade, além de trabalhar as alterações na fala e na movimentação.

Terceiro estágio – marcada pela perda de reflexos e do equilíbrio, o paciente apresenta dificuldade em andar em linha reta sem apoio, e tem maiores chances de sofrer acidentes devido à progressão da doença – o que leva, por exemplo, a maior risco de fraturas ósseas.

Quarto estágio – além da deterioração dos movimentos e maior dificuldade de locomoção, o paciente também sofre consequências na saúde mental, o que acarreta mudanças de comportamento e humor. Atividades como alimentação, locomoção e banho necessitam de auxílio. A terapia ocupacional e a fisioterapia são bastante indicadas nesta fase.

Quinto estágio – é o estágio mais debilitante do Parkinson, no qual a rigidez muscular e a instabilidade impedem que o paciente fique em pé ou consiga se locomover sem uso de uma cadeira de rodas. “Aqui, provavelmente, são utilizados medicamentos que podem provocar efeitos colaterais como alucinações, o que pode ser bem desagradável. Por isso, o auxílio de um profissional de enfermagem ou um cuidador experiente é imprescindível. Nós sabemos que esses estágios podem evoluir de uma forma na qual é importante que a família, os amigos, os parentes e os cuidadores estejam prontos para garantir a qualidade de vida e amortecimento do prejuízo psicológico, emocional e físico que a pessoa vem a experimentar”, explica Dr. Gomes.

Fatores de risco

Além de questões hormonais e genéticas – o que significa que a doença ocorre em maior proporção naqueles com seu histórico na família -, um dos fatores principais no aparecimento da doença é o próprio envelhecimento, uma vez que ela se manifesta após os 60 anos de idade, na maioria dos casos (apenas 5 a 10% dos pacientes apresentam a doença antes dos 50 anos de idade). Além disso, estatísticas mostram que a doença está 50% mais presente no gênero masculino, do que no feminino.

“Outros fatores de risco são passíveis de prevenção, como, por exemplo, traumas externos. Aqui, nós chamamos a atenção para o trauma esportivo, como o cabecear a bola durante o jogo de futebol ou então o boxe, que tem impacto direto sobre o crânio. Além disso, alguns produtos químicos, como pesticidas e outras toxinas, podem provocar alterações nos circuitos neurais típicos da doença de Parkinson”, alerta o neurocirurgião.

Tratamento

Nos estágios iniciais da doença, fisioterapia e outras atitudes simples, como apertar uma bolinha de reabilitação, podem ajudar no controle dos tremores. Além disso, algumas medicações e a cirurgia de estimulação cerebral profunda podem contribuir exponencialmente para uma melhor qualidade de vida do paciente.

Normalmente, o tratamento do Parkinson implica em três vertentes: o uso de medicamentos; a reabilitação multiprofissional; e procedimentos cirúrgicos – quando há indicação. “É recomendado que, desde os primeiros sintomas, o paciente seja acompanhado por uma equipe qualificada – desde a medicação até a reabilitação. Sobretudo, quando há indicação neurocirúrgica, como o implante de um DDS, que é um estimulador cerebral profundo”, reforça o médico.

Como viver com Parkinson?

Com a diminuição da metacognição – que é a habilidade de se assimilar os processos mentais – tanto o paciente quanto os familiares precisam entender as características da doença e o seu caráter progressivo, mas que é possível ter uma boa qualidade de vida com o acompanhamento médico e fisioterapia, que podem levar à redução máxima dos sintomas.

Duas importantes ferramentas para a aceitação da doença são a participação em grupos de apoio e auxílio psicológico, uma vez que o sucesso do tratamento envolve mais do que o uso de medicamentos ou cirurgias. Uma vez que o trabalho integrado entre profissionais da saúde, familiares e cuidadores é essencial, é ressaltada a importância de uma equipe multiprofissional – com neurologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, odontologista e terapeuta ocupacional – a fim de garantir a qualidade de vida do paciente.

Um ponto relevante ao falar sobre o Parkinson é o possível diagnóstico diferencial de uma doença intitulada Hidrocefalia de pressão normal: caracterizada pelo acúmulo de líquido dentro das cavidades ventriculares, a condição provoca alteração da marcha, incontinência urinária e alteração cognitiva que compromete a memória de curto prazo, sintomas similares aos do Parkinson e que podem levar ao erro diagnóstico – mas, ao contrário desta, pode ser revertida com um procedimento neurocirúrgico.

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