Pesquisa aponta presença de HPV em 32,2% dos homens estudados

De jaqueline

Afip Medicina Diagnóstica faz teste de biologia molecular e identifica a IST com alto potencial de evolução para câncer

Um estudo da Afip Medicina Diagnóstica aponta a presença de Papilomavírus Humano (HPV) de alto e baixo risco  em 32,2 % dos homens avaliados. As amostras foram colhidas em diferentes regiões anatômicas de 1987 pacientes do sexo masculino, entre os anos 2014 e 2017. O HPV é um vírus que afeta a pele e a mucosa epitelial, promovendo uma infecção sexualmente transmissível (IST) que é a maior causa de câncer de colo uterino. A ausência de camisinha no ato sexual é a principal responsável pela transmissão. 

Guilherme Moreno Rodrigues de Souza, supervisor da Afip Medicina Diagnóstica e um dos responsáveis pelo projeto, explica que as amostras foram submetidas à técnica molecular de captura híbrida, um teste de biologia molecular que detecta a presença de material genético viral e o classifica em alto risco e/ou baixo risco. “Em nossa amostragem, 20,4% apresentaram resultado positivo para HPV de alto risco e 11,8% resultado positivo para infecção por HPV de baixo risco”.

Souza esclarece que o estudo ainda indicou que na faixa etária dos 21 aos 40 anos, foram identificados 331 dos casos positivos para HPV de alto risco. A região anatômica masculina que apresentou maior número de amostras foi a peniana (considerado somente corpo e base), representando 77,7% dos materiais analisados; seguido por uretra com 6,8%; glande com 6,3%; prepúcio com 6,1% e região anal com 1,7%.

Entendendo o HPV

O Papilomavírus Humano (HPV) é um organismo pertencente à família Papillomaviridae e ao gênero Papilomavírus, com material genético do tipo DNA circular fita dupla. A infecção por HPV pode ser assintomática ou diagnosticada por meio do exame clínico.

Os tipos de HPV genitais são classificados em categorias baseadas em sua associação com lesões pré-malignas e cânceres invasivos. São considerados tipos oncogênicos os de alto risco, porque são detectados como lesão intraepitelial de alto grau ou câncer invasivo.  Os outros tipos são de baixo risco, associados principalmente a condilomas acuminados e menos de um terço das lesões intraepiteliais de baixo grau.

Muitos dos casos de infecção por HPV são latentes, transientes e detectáveis somente com testes de DNA viral, possibilitando o HPV ser transmitido sem saber entre milhões de adultos sexualmente ativos. Em homens, a infecção caracteriza-se pela ausência de manifestações clínicas, na maioria dos casos. Quando presente, possui caráter benigno, mais comum sob a forma subclínica, apresentando verrugas ou lesões preponderantes, localizadas no pênis, glande, escroto, sulcobalanoprepucial, região perianal e mais raramente no meato uretral. Porém, não se pode subvalorizar a presença de lesão como somente benigno, vista a possibilidade para evolução cancerosa.

O Câncer Peniano no Brasil

O câncer de pênis é uma doença pouco estudada que ocorre mais comumente em países em desenvolvimento, e 30% a 50% dos casos mostram infecção por papilomavírus humano (HPV) de alto risco de provocar o câncer. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pênis é um tumor raro, com maior incidência em homens a partir dos 50 anos, embora possa atingir também os mais jovens. No Brasil, esse tipo de tumor representa 2% de todos os tipos de câncer que atingem o homem, sendo mais frequente nas regiões Norte e Nordeste.

Veja também