Unidades públicas administradas pelo Einstein promovem capacitação sobre transtorno do espectro autista para profissionais de saúde

De jaqueline

CAPS Infanto-juvenil Campo Limpo, em parceria com a AMA de Especialidades Pediátricas da região, encabeçam o TEAr, iniciativa que visa contribuir com o diagnóstico precoce e cuidado adequado da condição

O programa, que será iniciado nas unidades de Campo Limpo, Vila Andrade e Capão Redondo, pode servir de referência para o espelhamento da iniciativa em outras regiões

O CAPS Infanto-juvenil Campo Limpo, em parceria com a AMA Especialidades Pediátricas da região, ambos administrados pelo Einstein, desenvolveu uma iniciativa para aumentar o conhecimento dos profissionais do serviço de atenção primária à saúde e promover o estímulo ao cuidado precoce para mais autonomia, qualidade de vida e inserção social dos pacientes com transtorno do espectro autista (TEA).

A prevalência de pessoas com TEA vem aumentando progressivamente ao longo dos anos. Em 2004, segundo o Centro de Controle de Doenças e Prevenção (CDC) dos Estados Unidos, 1 a cada 166 crianças eram diagnosticadas. Em 2012, esse número estava em 1 para 88. Agora, na última publicação do CDC, de 2021, a prevalência já chega em 1 a cada 44.

Em vista dessa realidade e da consequente alta demanda pelo cuidado desses indivíduos, as unidades públicas do Campo Limpo criaram o programa TEAr (tecendo/fazendo o cuidado em rede), que promoverá educação permanente aos profissionais das unidades públicas, capacitando as equipes para que saibam como auxiliar no reconhecimento da condição, identificando sinais e sintomas, aumentando o diagnóstico precoce e auxiliando o acesso rápido ao especialista da área.

O programa, que será iniciado nas unidades de Campo Limpo, Vila Andrade e Capão Redondo, pode servir de referência para o espelhamento da iniciativa em outras regiões.

De acordo com a coordenadora do AMA Especialidades Pediátricas Campo Limpo, Joacira Mota Matos Santos, além de orientar os profissionais de saúde sobre o assunto, o objetivo do programa é empoderar pacientes com TEA e seus familiares, a partir da disseminação de informações. “A capacitação de profissionais por meio do TEAr ajudará a suprir uma demanda que necessita de ação para que cada vez mais as famílias consigam realizar diagnósticos corretos e, em seguida, dar andamento nas próximas etapas, como atendimento especializado”, reforça.

Os encontros do programa TEAr iniciaram em agosto, e abordam desde a epidemiologia e os fatores de risco, até orientações para um diagnóstico assertivo, encaminhamento e atenção especializada ao transtorno.

Informações para os familiares

Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde anunciou a implementação de um novo modelo de caderneta de saúde para as crianças, que contém mais orientações para as famílias e novas ferramentas para ajudar no diagnóstico de condições genéticas.

O novo documento vem com o Checklist M-CHAT-R/F, um questionário que ajuda os especialistas a identificar pacientes com possível quadro de TEA, devendo ser preenchido quando a criança completa 18 meses.

“Muitas pessoas não sabem, mas a cartilha de vacinação que a mãe recebe na maternidade agora traz orientações importantes sobre o desenvolvimento da criança e possíveis sinais de TEA. O documento permite que a população se aproprie do tema e possa replicar o conhecimento adquirido”, relembra Joacira.

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