Câncer de Pulmão: Conheça as formas de combater essa doença de alta letalidade

De Rafael

Agosto Branco conscientiza e orienta sobre a neoplasia que mais mata em todo o mundo

Tosse persistente, fadiga, rouquidão e perda de peso são sinais de alerta para vários tipos de doença, incluindo o câncer de pulmão, a neoplasia maligna mais mortal do mundo. Contra a alta letalidade, novas drogas e tratamentos foram recentemente incorporados aos protocolos e vários estudos promissores estão em desenvolvimento. E em meio aos avanços, uma antiga recomendação permanece determinante ao prognóstico: conhecer os sintomas e os riscos para detectar o câncer de pulmão o mais cedo possível.

Agosto Branco é a campanha nacional de conscientização sobre o câncer de pulmão, primeiro no mundo em incidência entre os homens e o terceiro entre as mulheres. A importância de reunir informações é justificada pelo fato de que quanto mais cedo a doença for diagnosticada, maiores as expectativas de cura ou sobrevida.

Em quase 90% dos casos, o tabagismo está relacionado à causa da neoplasia. Estima-se que em 2022 foram diagnosticados cerca de 2,2 milhões de novos casos de câncer de pulmão e que 1,76 milhões de mortes ocorreram em todo o mundo.

Segundo as estimativas, para 2023 são previstos no Brasil 18.020 novos casos de câncer de pulmão em homens, o que o caracteriza como terceiro tipo mais comum – sem considerar o câncer de pele não-melanoma. Entre as mulheres, a previsão é de 14.540 novos casos e a quarta posição em incidência. A média anual de mortes no país supera 28 mil.

A alta letalidade está relacionada à demora na identificação da doença. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, apenas 16% dos cânceres de pulmão são diagnosticados em estágio inicial (sem metástase), para o qual a taxa de sobrevida de cinco anos é de 56%. Nos demais estágios, a sobrevida média em cinco anos cai para 18% (15% para homens e 21% para mulheres).

Fernando Medina, oncologista clínico do Centro de Oncologia Campinas, recomenda às pessoas do grupo de risco (aquelas com mais de 55 anos, fumantes e ex-fumantes há menos de 15 anos) fazerem o rastreamento. “Indivíduos assintomáticos que realizam rotineiramente exames podem detectar a doença na fase inicial e ampliar suas chances de cura”, assegura. A tomografia computadorizada de baixa dose de radiação, por exemplo, identifica lesões pulmonares que podem ser cancerígenas – a confirmação ocorre por meio de biópsia.

 Tratamentos

O estadiamento (processo para determinar a localização e a extensão do câncer) aponta o tamanho do tumor, se há disseminação para os linfonodos e se metastizou para outros órgãos. “Os estágios vão de 0 a 4, sendo o estágio 4 o mais avançado, quando o câncer se espalhou para outras partes do corpo”, explica Fernando Medina.

Medina detalha que o estadiamento é essencial para determinar as formas de tratamento e prognóstico. E reforça que os caminhos para combater o câncer de pulmão dependem sempre do tipo da neoplasia (células pequenas ou não pequenas), estágio e estado geral de saúde do paciente.

As opções possíveis de tratamento do câncer de pulmão, explica o especialista, incluem a cirurgia para remover o tumor, caso esteja em estágio inicial e localizado. A quimioterapia é um outro recurso para destruir as células cancerígenas. Pode ser usada antes da cirurgia, para reduzir o tumor, ou após, para eliminar quaisquer células remanescentes. A radioterapia combinada com quimioterapia é mais uma possibilidade de tratamento.

“A esses procedimentos somam-se a Imunoterapia, que estimula o sistema imunológico do corpo para combater o câncer, e as Terapias-alvo, que visam destruir genes ou proteínas específicas do câncer”, acrescenta.

 Tipos

O câncer de pulmão não pequenas células representa quase 85% de todos os casos. Dentro desses, cerca de 25 a 30% são diagnosticados no estágio III. O primeiro estágio é um câncer localizado (apenas 16% dos diagnósticos ocorrem nesta fase). No segundo estágio, o câncer se espalhou para os nódulos linfáticos próximos, e o quarto representa metástase para regiões distantes do corpo.

“No estágio III, o tumor já se espalhou para os nódulos linfáticos locais ou tecidos próximos ao pulmão, mas não para partes distantes do corpo. É inoperável quando o tumor está muito próximo de estruturas vitais ou espalhou-se demais localmente, inviabilizando a retirada cirúrgica”, esclarece Fernando Medina.

Como não é possível a retirada cirúrgica do tumor, prossegue o médico, o tratamento padrão é a quimioterapia e radioterapia combinadas. “A quimioterapia ajuda a destruir células cancerígenas que podem ter se espalhado pelo corpo, enquanto a radioterapia é direcionada à área do tórax para destruir o tumor localmente”, informa.

O prognóstico do estágio III inoperável é mais reservado do que quando há possibilidade de cirurgia. A taxa de sobrevida em cinco anos é baixa, fica em torno de 15%. “Porém, os tratamentos atuais de radio e quimioterapia estão melhorando o controle da doença e a sobrevida”, assegura. “Apesar de desafiador, o tratamento combinado ainda pode oferecer chances de controle do câncer de pulmão não pequenas células estágio III inoperável. O acompanhamento multidisciplinar é essencial para maximizar os resultados”, informa.

Já o câncer de pequenas células de pulmão (CPCP) representa menos de 20% dos casos. É o mais agressivo de todos os tumores malignos de pulmão e em mais de 60% dos casos, o paciente já se apresenta com doença avançada ao diagnóstico. Dessa forma, os prognósticos são pessimistas. A média de sobrevida dos casos avançados é de apenas três meses. Esse tipo de neoplasia tende a se disseminar precocemente.

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