Pela primeira vez, imunoterapia é aprovada para câncer de pulmão inicial no Brasil

De jaqueline

Anvisa aprovou o tratamento para um tipo da doença que estava sem inovação há 16 anos; câncer de pulmão é o mais letal entre homens no país e o segundo entre as mulheres

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar a primeira imunoterapia para pessoas com câncer de pulmão inicial, ou seja, quando a doença ainda está localizada e não atingiu outros órgãos. A indicação é para pessoas com o câncer de pulmão não pequenas células em estágio II-IIIA, que sejam positivas para o biomarcador PD-L1. O estudo de fase III IMpower010 demonstrou que o uso do medicamento Atezolizumabe (Tecentriq ®) associada a quimioterapia após cirurgia reduziu, de forma inédita, o risco de recorrência da doença ou morte (sobrevida livre de doença) em 34% dos pacientes.

O objetivo da terapia adjuvante (pós-cirurgia) é diminuir o risco de recorrência do câncer e propiciar mais chances de cura, considerando que cerca de 50% dos pacientes com esse tipo de câncer de pulmão apresentarão recorrência da doença. O atual padrão de tratamento nesses casos – quimioterapia adjuvante à base de platina – aumenta em 4% a 5% as chances de os pacientes permanecerem vivos em cinco anos, após a cirurgia de remoção do tumor.

Após mais de 16 anos sem mudança no padrão de tratamento para esses pacientes, este novo resultado com a imunoterapia Atezolizumabe (Tecentriq ®) demonstra melhora na sobrevida livre de doença, oferecendo um avanço importante em um cenário com opções terapêuticas limitadas.

“Essa aprovação tem como objetivo aumentar as chances do controle da doença para os pacientes com câncer de pulmão inicial com o biomarcador PD-L1. A terapia entra como mais uma modalidade disponível que, inclusive, já se mostrou muito eficaz para pacientes com doença mais avançada, e que agora vem ajudar os pacientes com o câncer inicial. Estamos caminhando e evoluindo com mais essa opção que pode aumentar as chances do paciente ser curado”, afirma a Diretora Executiva do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica e Oncologista clínica da Rede D’or do Rio de Janeiro, Clarissa Baldotto.

O câncer de pulmão é uma das principais causas de morte em todo o mundo. A cada ano, 1,8 milhão de pessoas morrem em consequência da doença; isso se traduz em mais de 4.900 mortes em todo o mundo diariamente. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de pulmão é o que ocasiona mais mortes de homens no país e o segundo mais letal entre as mulheres, atrás somente dos tumores de mama. No Brasil, são quase 30 mil mortes por ano por este tipo de câncer. Ele também é um dos mais incidentes: o terceiro entre homens (17,7 mil novos casos ao ano) e o quarto entre mulheres (12,4 mil novos casos ao ano). O câncer de pulmão não pequenas células é o tipo mais prevalente, sendo responsável por 85% dos casos.

A imunoterapia com Atezolizumabe (Tecentriq ®) já havia demonstrado benefícios clinicamente significativos em câncer de pulmão avançado, tendo outras dez indicações aprovadas ao redor do mundo, inclusive no Brasil. A Roche tem um extenso programa de desenvolvimento do medicamento, incluindo vários estudos de fase III em andamento e planejados em diferentes configurações de câncer de pulmão, geniturinário, pele, mama, gastrointestinal, ginecológico e de cabeça e pescoço. Isso inclui estudos avaliando Atezolizumabe (Tecentriq ®) sozinho e em combinação com outros medicamentos, bem como estudos na fase metastática, adjuvantes e neoadjuvantes em vários tipos de tumor.

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