Dia Mundial do Autismo: escassez de terapeutas ocupacionais especializados em autismo no Brasil

De jaqueline

O déficit de profissionais chega a 24 mil. O país tem cerca de 6 profissionais para cada 100 mil habitantes, número aquém do recomendado pela OMS.

A busca por terapeutas ocupacionais especializados no atendimento de crianças autistas tornou-se uma verdadeira saga no Brasil. Dados do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) revelam que o país possui cerca de 17.500 terapeutas ocupacionais, resultando em uma média de 6,6 profissionais para cada 100 mil habitantes, número consideravelmente abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Essa escassez é atribuída, em parte, à limitada oferta de cursos de formação nessa área e à crescente demanda por especialização em integração sensorial. O COFFITO também revela um déficit aproximado de 24 mil terapeutas ocupacionais no país, ressaltando a urgência de investimentos e formação nessa área.

A escassez de profissionais especializados tem impactos diretos na qualidade de vida de pessoas que dependem desses serviços para desenvolver suas rotinas e habilidades, como é o caso de indivíduos atípicos. Marília Macêdo, fonoaudióloga e sócia da clínica médica MedAdvance, explica que encontrar profissionais qualificados é uma tarefa árdua, pois a demanda supera em muito a oferta. Clínicas e instituições enfrentam dificuldades para preencher vagas não apenas devido à escassez de profissionais formados, mas também pela falta de especializações específicas.

– A integração sensorial, fundamental para compreender as necessidades únicas das crianças autistas, muitas vezes exige certificações internacionais, como a de integração sensorial de Ayres – um programa voltado para os terapeutas ocupacionais, onde adquirem conhecimentos avançados na teoria, princípios, avaliação e intervenção de integração sensorial. Isso eleva não apenas a barreira de entrada para os terapeutas, mas também os custos para as clínicas -, ressaltou Marília Macêdo.

Com a oferta limitada de profissionais qualificados, os salários tendem a subir, tornando o acesso a esses serviços ainda mais difícil para famílias e instituições de menor poder aquisitivo. Marília enfatiza que o cenário é muito diferente para fonoaudiólogos, por exemplo, porque embora haja mais opções de formação nessa área, a especialização voltada para a linguagem terapêutica cria uma divisão nas habilidades profissionais. “Muitos optam por se dedicar a outras especialidades, reduzindo ainda mais a disponibilidade para o atendimento de crianças autistas”, lembrou a especialista da MedAdvance.

Segundo Marília, as estratégias para contratação se resumem principalmente a negociações financeiras. Clínicas e instituições oferecem salários mais altos e redução de carga horária para atrair profissionais, “mas essa abordagem é insustentável a longo prazo”, pontua a fonoaudióloga, acrescentando que o desafio persiste: como garantir o acesso a serviços de qualidade para crianças autistas em um mercado onde a oferta não acompanha a demanda?

A média salarial para Terapeuta Ocupacional no Brasil gira em torno de R$15 mil, com destaque para aqueles especializados no tratamento do autismo. A formação mais comum é a Graduação em Terapia Ocupacional.

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